Agência com apuração local · publicado originalmente por Diário do Centro do Mundo
Lobby no Supremo
Vorcaro foi ao STF pedir voto de Gilmar Mendes em disputa de R$ 145 bilhões
Ex-controlador do Banco Master se reuniu com ministro do STF em 2024 intermediado por lobista com contrato de R$ 500 mil mensais ligado ao magistrado.
Foto: Reprodução/Diário do Centro do Mundo
Diário do Centro do Mundo
Jornalista
O ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 11 de abril de 2024, para pedir que o magistrado votasse a favor de uma tese em uma disputa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro. A informação foi publicada pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
O banco mantinha em carteira bilhões de reais em créditos de empresas do setor. As ações em questão discutem indenizações cobradas da União por usinas que alegam ter sofrido prejuízos em razão do controle estatal de preços praticado nas décadas de 1980 e 1990.
Segundo estimativa da Advocacia-Geral da União (AGU), o impacto potencial do conjunto dessas disputas pode chegar a R$ 145 bilhões. O processo que interessava diretamente a Vorcaro envolvia a Destilaria Alcídia S/A, cujos créditos haviam sido adquiridos pelo Master.
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Intermediação e lobby
A reunião foi articulada com a participação do empresário Chiquinho Feitosa, que era cunhado de Gilmar Mendes à época e mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com Vorcaro. De acordo com a Folha, Feitosa atuava como lobista em Brasília para o ex-banqueiro e ajudou a organizar o encontro.
Em mensagem posterior ao encontro, Feitosa teria aconselhado Vorcaro a estabelecer uma "relação direta" com o ministro. Vorcaro também tratou diretamente com a secretária do gabinete para organizar a audiência.
Inicialmente, o ex-banqueiro pretendia permanecer a sós com Gilmar por cerca de meia hora e, em seguida, receber outras pessoas, entre elas Bruno Bianco, ex-advogado-geral da União que já atuava na advocacia privada.
Versão do gabinete
A assessoria do ministro afirma que a reunião ocorreu no gabinete do STF, em ambiente institucional, e contou com a presença de advogados do Banco Master. O gabinete acrescenta que Gilmar Mendes não tinha conhecimento das tratativas comerciais entre o então parente e o dono do Master.
O voto de Gilmar no processo, segundo seu gabinete, contrariou o interesse levado por Vorcaro. O ministro e André Mendonça votaram contra o pleito da Destilaria Alcídia, enquanto Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques formaram maioria favorável à empresa. O gabinete também informa que Gilmar votou contra o pagamento de precatórios em outros processos do setor.
Novo episódio em meio à crise
A revelação acrescenta mais um encontro entre Vorcaro e integrante do Supremo ao conjunto de informações que vieram à tona após mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro se tornarem públicas. Nos últimos dias, Gilmar Mendes cobrou acesso integral ao material apreendido pela Polícia Federal e defendeu que o ministro Edson Fachin concentrasse a relatoria dos processos ligados ao Banco Master.