Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil
Tensão Nuclear Global
Coreia do Norte declara arsenal nuclear irreversível e rejeita desnuclearização
Vice-ministro norte-coreano defende expansão nuclear em Pequim enquanto irmã de Kim Jong-un rejeita apelos da AIEA e analistas avaliam possível reaproximação com Trump.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
CNN Brasil
Jornalista
O vice-ministro da Defesa da Coreia do Norte, Kim Kang Il, afirmou nesta quinta-feira (17) que o fortalecimento do arsenal nuclear de Pyongyang é uma resposta legítima ao que classificou como uma aliança nuclear em expansão entre Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão. A declaração foi feita durante o Fórum Xiangshan, em Pequim, principal conferência de segurança internacional da China.
Em seu discurso, Kim Kang Il defendeu que o status da Coreia do Norte como Estado detentor de armas nucleares é irreversível e prometeu continuar ampliando o arsenal do país.
"O incessante reforço de armamentos nucleares por parte dos Estados inimigos justifica plenamente a construção de um sólido escudo nuclear da RPDC", afirmou o vice-ministro, usando a sigla para República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país.
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Kim atribuiu as tensões na Península Coreana à política que descreveu como "imutável" de Washington em relação a Pyongyang e acusou os Estados Unidos de transformarem a cooperação com Seul e Tóquio em uma aliança de caráter nuclear. Ele instou outros países a abandonarem o que chamou de "devaneio" da desnuclearização, descrevendo o status nuclear norte-coreano como "um ponto sem retorno".
A participação do vice-ministro no fórum foi considerada uma rara aparição de alto nível da Coreia do Norte em um evento internacional de segurança, em um momento em que Pyongyang busca aproximação com Pequim diante das tensões com Washington e seus aliados.
Irmã de Kim Jong Un rejeita apelos da AIEA
Ainda nesta quinta-feira, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un e figura de grande influência no regime, divulgou um comunicado pela agência estatal KCNA rejeitando os apelos internacionais pela desnuclearização do país, feitos durante a reunião anual da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
No texto, ela classificou as repetidas exigências de desnuclearização como um "ruído" anual e afirmou que o status nuclear de Pyongyang está permanentemente estabelecido, tanto "física quanto legalmente".
Acusações contra EUA e Coreia do Sul
Na quarta-feira (16), um porta-voz do Ministério da Defesa norte-coreano já havia acusado Estados Unidos e Coreia do Sul de intensificar o confronto militar por meio de exercícios conjuntos e planejamentos de resposta a armas de destruição em massa. Segundo o porta-voz, essas ações equivaleriam a uma "declaração aberta de confronto" e poderiam levar Pyongyang a acionar dispositivos previstos em sua lei sobre política de força nuclear.
Analistas avaliam contexto das declarações
Para Lim Eul-chul, professor do Instituto de Estudos do Extremo Oriente da Universidade Kyungnam, em Seul, as declarações fazem parte de uma campanha mais ampla de comunicação do regime sobre sua política nuclear. Segundo ele, os pronunciamentos visam consolidar a ideia de que o status nuclear norte-coreano atingiu um estágio irreversível e criar justificativas para futuras atividades militares e nucleares.
Possível reaproximação com Trump
Questionado sobre um eventual encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o líder norte-coreano disse não estar em condições de discutir se tal cúpula poderia ocorrer.
O ex-representante especial dos EUA para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, avaliou nesta quinta-feira, durante a conferência "West Coast Exchange" do Korea Risk Group, que a resposta contida de Pyongyang às alegações de Trump sobre comunicações com Kim Jong Un indicava que a Coreia do Norte "não estava fechando a porta" para negociações futuras.
Biegun afirmou que "não seria nenhuma surpresa" se Trump propusesse um encontro com o líder norte-coreano após a cúpula da APEC na China, em novembro, e que tal reunião poderia até mesmo ocorrer em Pyongyang.