Agência com apuração local · publicado originalmente por Revista Oeste
Crítica Eleitoral
O Globo critica reajuste do Bolsa Família às vésperas das eleições e acusa governo de oportunismo
Editorial do O Globo classifica aumento de 15,04% no Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691, como manobra eleitoreira a 17 dias do primeiro turno.
Foto: Reprodução/Revista Oeste
Pâmela Zacarias
Jornalista
O jornal O Globo publicou editorial nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, classificando o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, anunciado pelo governo federal, como um "ardil eleitoreiro".
O decreto do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o valor mínimo do benefício de R$ 600 para R$ 691. O benefício médio estimado deve passar de R$ 675 para R$ 777. O primeiro pagamento com os novos valores está previsto para outubro, entre os dois turnos das eleições.
A correção leva em conta a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor entre março de 2023 e agosto de 2026. O governo afirma que o ajuste repõe a perda do poder de compra dos beneficiários desde aquela data e que a medida respeita as regras do arcabouço fiscal.
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O principal questionamento do O Globo recai sobre o momento escolhido para o anúncio. O editorial destaca que o reajuste foi publicado 17 dias antes do primeiro turno das eleições e lembra que Lula, quando candidato em 2022, criticou a ampliação do então Auxílio Brasil promovida pelo governo Jair Bolsonaro.
"Há um paradoxo incontornável na última 'bondade' eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva", afirma o editorial do jornal.
O veículo também trouxe à tona uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 2024, na qual a Corte considerou inconstitucionais dispositivos da Emenda Constitucional 123/2022 que permitiram a criação e a ampliação de benefícios sociais naquele ano eleitoral, por entender que a medida violou a igualdade de oportunidades entre candidatos.
O próprio editorial, no entanto, reconhece que o caso atual difere daquele julgado pelo STF, pois envolve uma correção inflacionária de um programa já existente, e não a criação de um novo benefício — argumento também utilizado pelo governo para justificar a medida.
O impacto financeiro do reajuste, segundo dados divulgados pelo Executivo, será de R$ 5,8 bilhões nas despesas de 2026 e de R$ 22,7 bilhões em 2027.
A justificativa fiscal do governo também foi alvo de críticas no editorial. O jornal questiona a intenção da equipe econômica de acomodar a despesa dentro das regras fiscais por meio de uma redução nas projeções de gastos previdenciários.
"A promessa de manter o gasto dentro dos limites do arcabouço fiscal é ardilosa", afirmou O Globo. "Primeiro, foge do óbvio oportunismo eleitoreiro. Segundo, passa a impressão falsa de responsabilidade."
Esta é a primeira atualização dos valores do Bolsa Família desde a retomada do programa, em 2023.