Agência com apuração local · publicado originalmente por Extra online
Saúde Mental na Terceira Idade
Como combater a depressão em idosos: vínculos sociais e atividades são aliados essenciais
Especialistas alertam que isolamento e solidão agravam a depressão em idosos. Saiba como atividades terapêuticas e apoio familiar podem prevenir e tratar o problema.
Foto: Reprodução/Extra online
Extra online
Jornalista
Manter vínculos sociais, participar de atividades com propósito e contar com o apoio da família são fatores que podem ajudar a prevenir e tratar a depressão em idosos, segundo especialistas em saúde mental.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15% dos adultos com 70 anos ou mais apresentam algum transtorno mental. A entidade aponta a solidão e o isolamento como alguns dos principais fatores que contribuem para esses problemas na terceira idade.
A psicóloga Valmari Cristina Aranha, membro da Comissão de Formação Gerontológica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, ressalta a importância de incluir o idoso em atividades que o aproximem de outras pessoas.
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"É importante convidar o idoso para atividades que o coloquem próximo de outras pessoas. Chamar para atividades interessantes e que façam parte do contexto social dele. A inserção em atividades terapêuticas, que pode ser uma atividade física, arteterapia, musicoterapia e o trabalho voluntário, que faz com que o idoso reencontre um propósito na vida. É importante que seja uma atividade que faça a pessoa existir além da depressão", afirma Valmari.
A especialista também alerta que, na terceira idade, a depressão nem sempre se manifesta pela tristeza. Segundo ela, os sinais podem aparecer de outras formas.
"Muitas vezes, surge por meio de alterações comportamentais e sintomas físicos, como falta de energia, isolamento social e discursos de autodepreciação, com frases como 'eu não sirvo mais para nada' ou 'sou um peso para os outros'", descreve Valmari.
Para a psicóloga Karen Jones, da Said Rio, empresa especializada em assistência domiciliar, um dos maiores desafios é distinguir as mudanças comuns do envelhecimento dos sintomas que indicam sofrimento emocional.
"É muito comum que sinais de depressão sejam interpretados como parte da velhice. O idoso pode ficar mais quieto, deixar de participar de atividades que antes gostava, apresentar alterações no sono ou no apetite e se queixar mais de dores físicas. Esses sinais precisam ser observados em conjunto e, principalmente, em comparação com o comportamento habitual daquela pessoa", alerta Karen.
A profissional reforça que minimizar o sofrimento do idoso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado.
"Frases como 'isso é da idade' ou 'ele sempre foi assim' podem fazer com que um problema seja ignorado. A depressão é uma condição de saúde e pode ser acompanhada e tratada por profissionais. Quanto antes os sinais forem percebidos, mais rápido podemos buscar ajuda", enfatiza Karen.
Karen também destaca que o cuidado com o idoso vai além da saúde física.
"Cuidar de um idoso não significa apenas acompanhar seus medicamentos ou garantir que esteja fisicamente bem. Também precisamos observar como ele está se sentindo, se mantém seus vínculos, se encontra prazer na rotina e se continua exercendo sua autonomia. Saúde mental também é qualidade de vida", ressalta a psicóloga.
Sinais que podem indicar depressão em idosos
Perda de interesse em atividades que faziam parte da rotina e eram agradáveis
Isolamento social
Alterações no sono
Mudanças no apetite
Falta de energia
Dificuldade de concentração
Sentimentos de inutilidade ou culpa
Dores físicas sem causa aparente
Irritabilidade e mudanças de humor, mesmo sem demonstrar tristeza de forma evidente