Agência com apuração local · publicado originalmente por G1
Avaliação da Educação
Pisa: 20 estados e DF têm nota em matemática abaixo da média socioeconômica
Um levantamento feito por pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) revelou que 20 estados brasileiros e o Distrito Federal obtiveram resultados em matemática…
Foto: Reprodução/G1
G1
Jornalista
Um levantamento feito por pesquisadores do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) revelou que 20 estados brasileiros e o Distrito Federal obtiveram resultados em matemática abaixo do esperado para os seus respectivos níveis socioeconômicos no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). O detalhamento do rendimento estadual na avaliação internacional, aplicada a estudantes de 15 anos de redes públicas e privadas em 91 países, não era divulgado desde 2015.
Para chegar a essas conclusões, a análise ajustou as notas obtidas em matemática, leitura e ciências com base em indicadores dos estudantes, como a escolaridade dos pais, a ocupação profissional mais alta da família e o acesso a recursos no domicílio, a exemplo de livros e internet. O modelo adotou como referência média o perfil socioeconômico dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Desempenho por disciplina
Matemática registrou o cenário mais desfavorável entre as áreas analisadas, com 21 unidades da federação ficando abaixo da pontuação esperada. Apenas cinco estados superaram as projeções socioeconômicas na matéria, com destaque para o Paraná, que ficou 15 pontos acima da estimativa, seguido por Ceará, Minas Gerais, Piauí e São Paulo. Na ponta oposta, Roraima teve a maior diferença negativa do país, situando-se 50,2 pontos abaixo da expectativa, acompanhado por desempenhos desfavoráveis de outros estados do Norte, como Tocantins, Amapá e Amazonas.
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Em leitura, o resultado relativo nacional foi mais positivo, com 24 das 27 unidades federativas superando as estimativas para suas realidades financeiras e educacionais. O Paraná novamente ocupou a primeira posição (+59 pontos acima do previsto), acompanhado por Minas Gerais (+52,9 pontos) e Ceará (+49,7 pontos). Apenas três estados não atingiram o patamar esperado nessa disciplina: Roraima, Tocantins e Mato Grosso.
Na disciplina de ciências, o Paraná repetiu a liderança (+39,8 pontos), seguido por Minas Gerais (+29,6 pontos) e São Paulo (+27,3 pontos). Já Roraima apresentou outra vez o resultado relativo mais baixo (-40,4 pontos), e o Distrito Federal ficou ligeiramente abaixo da expectativa (-0,5 ponto).
Contrastes regionais
O estudo apontou contrastes entre pontuações brutas e relativas. São Paulo registrou médias absolutas de 403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências. No entanto, ao considerar a renda e estrutura das famílias, a diferença matemática em relação ao esperado foi de +2,3 pontos, a menor margem positiva entre os estados que superaram a expectativa.
Já estados do Nordeste, como Ceará e Piauí, ficaram consistentemente acima do projetado. Com 363,3 pontos absolutos em matemática, o Ceará alcançou o segundo melhor resultado proporcional do país, superando sua expectativa socioeconômica em 10,5 pontos.
O Paraná destacou-se como o único estado a superar as projeções socioeconômicas em todas as três disciplinas avaliadas, além de ter liderado os rankings gerais do Brasil divulgados em 8 de setembro.