Agência com apuração local · publicado originalmente por Revista Oeste
Futebol e Consumo
Camisas 'tailandesas': Por que as réplicas de futebol dominam o mercado brasileiro?
O mercado de camisas de futebol conhecidas como "tailandesas" ou "réplicas" apresenta um crescimento expressivo no Brasil, tanto em centros de comércio popular quanto em plataformas digitais. Essas…
Foto: Reprodução/Revista Oeste
Lucas Cheiddi
Jornalista
O mercado de camisas de futebol conhecidas como "tailandesas" ou "réplicas" apresenta um crescimento expressivo no Brasil, tanto em centros de comércio popular quanto em plataformas digitais. Essas peças reproduzem modelos de clubes e seleções com preços reduzidos, atraindo torcedores que buscam alternativas aos produtos oficiais devido ao custo elevado das mercadorias licenciadas.
Embora recebam o nome de "tailandesas", o termo é utilizado comercialmente para indicar réplicas de qualidade superior, muitas vezes fabricadas na China e em outros países da Ásia. Na prática, tratam-se de produtos falsificados que utilizam marcas e elementos protegidos sem autorização, o que é passível de punição conforme a legislação brasileira para quem produz, vende ou mantém os itens em estoque.
Diferença de preços e qualidade
A ascensão desse mercado é impulsionada pela diferença de valores e pela evolução no acabamento das peças. Um levantamento da Gazeta Esportiva realizado em 2026 com clubes da Série A apontou que o preço médio das camisas oficiais masculinas é de R$ 469,39, enquanto as femininas custam, em média, R$ 435,76. O modelo de jogador do Flamengo, por exemplo, é comercializado por R$ 799,99 em sites oficiais.
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Em contrapartida, lojas do mercado paralelo oferecem produtos com tecidos, costuras e escudos semelhantes aos originais por valores significativamente menores. Essa disparidade faz com que consumidores que não podem ou não desejam pagar centenas de reais por um item oficial optem pelas versões não autorizadas.
Impacto econômico e volume de vendas
Dados de um estudo da ÁPICE, realizado em parceria com o IEMI, dimensionam o tamanho da pirataria no setor. Em 2025, os brasileiros consumiram 18,1 milhões de camisas de futebol falsificadas, o que representa quase 30% de todas as camisas esportivas comercializadas no país. No mercado esportivo geral, o consumo de itens piratas atingiu 225 milhões de unidades no mesmo ano, equivalente a 34% do consumo total.
O levantamento também destaca o avanço das vendas digitais. Em 2025, 44% do consumo de artigos esportivos piratas ocorreu por canais na internet, superando os 37% registrados em 2023. Além de afetar marcas e clubes, a prática gera prejuízos financeiros ao país.
Perda potencial de R$ 31,8 bilhões para o setor formal em 2025.
R$ 7,4 bilhões em impostos que deixaram de ser arrecadados no mesmo período.
O fenômeno das camisas "tailandesas" revela um cenário de disputa entre a proteção da propriedade intelectual e o acesso do torcedor aos produtos de seus times em um contexto de preços elevados.