Produção agrícola brasileira bate recorde de R$ 927,2 bilhões, mas São Paulo avança só 5,1%; café e borracha compensam parte da queda dos citros e a uva fica estável
A laranja paulista perdeu R$ 5,8 bilhões em valor de produção em 2025, mesmo com uma safra maior do que a do ano anterior. É o que mostra a Produção Agrícola Municipal do IBGE, divulgada em 17 de setembro de 2026. A queda segurou São Paulo em uma alta de 5,1% no ano, muito abaixo dos 18,4% do país.
Pela tabela 1613 do SIDRA, o valor da laranja no estado caiu de R$ 22,245 bilhões para R$ 16,399 bilhões, recuo de 26,3%. A produção física, no entanto, subiu 2,2%, de 12,00 milhões para 12,27 milhões de toneladas. Ou seja: colheu-se mais e faturou-se bem menos — um efeito de preço, depois da alta excepcional do suco de laranja nos anos anteriores.
O café fez o movimento oposto. Com 316,4 mil toneladas, 5,7% menos que em 2024, o café arábica paulista rendeu R$ 10,718 bilhões, 25,3% a mais. A borracha (látex coagulado) subiu de R$ 995,5 milhões para R$ 1,533 bilhão. Ainda assim, o conjunto das lavouras permanentes do estado encolheu 6,8%, de R$ 39,395 bilhões para R$ 36,708 bilhões.
Região entra no mapa pelas hortaliças
Nas lavouras temporárias, São Paulo cresceu 11,1%, para R$ 87,316 bilhões, segundo a tabela 1612. Parte relevante dessa alta, porém, vem de uma mudança de método: o IBGE ampliou a pesquisa de 37 para 50 produtos, incluindo alface, repolho, cenoura, pimentão, morango, chuchu, abóbora, milho-verde, inhame, gergelim e canola, conforme o informativo da pesquisa. Foi por causa disso que Piedade e Ibiúna apareceram como o 1º e o 2º maiores produtores de alface do Brasil, com 375.000 e 57.500 toneladas.
Somando as duas pesquisas, São Paulo chegou a R$ 124,0 bilhões em 2025, contra R$ 118,0 bilhões em 2024, e segue em 2º lugar no país, atrás do Mato Grosso (R$ 165,6 bilhões). O Brasil bateu recorde, com R$ 927,2 bilhões — R$ 719,9 bilhões em lavouras temporárias e R$ 207,3 bilhões em permanentes. A uva paulista, que sustenta a economia do vinho em São Roque, Jundiaí e São Miguel Arcanjo, ficou praticamente parada: R$ 871,5 milhões, 0,5% abaixo de 2024.
Como parte do avanço nacional vem dos produtos que passaram a ser pesquisados agora, a comparação entre 2024 e 2025 precisa ser lida com cuidado. O próprio IBGE registra no informativo que, no caso das frutas, sem as novas culturas o resultado de 2025 teria sido de queda, e não de alta.
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