Agência com apuração local · publicado originalmente por G1
Crise na Venezuela
ONU alerta: máquina repressiva da Venezuela segue intacta mesmo após queda de Maduro
Investigadores da ONU alertam que estruturas de repressão venezuelanas permanecem ativas apesar da saída de Maduro e de algumas melhorias pontuais em direitos humanos.
Foto: Reprodução/G1
G1
Jornalista
A situação dos direitos humanos na Venezuela ainda aguarda mudanças "reais e significativas", apesar de algumas "melhorias limitadas" registradas após a deposição do ditador Nicolás Maduro. O alerta foi feito nesta quarta-feira (16) por investigadores da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos da ONU sobre a Venezuela.
Segundo o comunicado divulgado pela missão, as estruturas estatais responsáveis pela repressão e pelas graves violações de direitos humanos — incluindo crimes contra a humanidade — seguem funcionando normalmente no país.
"Apesar das limitadas melhorias observadas na situação dos direitos humanos na Venezuela, as instituições estatais responsáveis pela repressão, pelas graves violações dos direitos humanos e pelos crimes contra a humanidade permanecem intactas", afirmou a missão em nota.
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O documento foi divulgado durante a apresentação de um relatório ao Conselho de Direitos Humanos, em Genebra. Os investigadores reconhecem que, após a intervenção militar do governo de Donald Trump em 3 de janeiro e a prisão de Maduro, houve "uma diminuição significativa nas detenções de longa duração e nos desaparecimentos forçados".
Desde então, o governo de Delcy Rodríguez — ex-vice-presidente que assumiu a presidência interina sob tutela dos Estados Unidos — adotou algumas medidas consideradas positivas pelos investigadores, entre elas:
A libertação de centenas de pessoas presas por motivos políticos;
A flexibilização parcial das regras sobre manifestações;
A abertura de maior espaço para a participação da sociedade civil.
Ainda assim, a missão da ONU avalia que essas iniciativas não são suficientes para caracterizar uma transformação efetiva no quadro de direitos humanos do país, enquanto o aparato repressivo segue estruturalmente preservado.