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Bolsa de Valores
Bolsas americanas caem pelo segundo dia seguido com disparada do petróleo e rendimento dos Treasuries
Treasury de 10 anos supera 5%, maior nível desde 2007, pressionando ações. O post Bolsas americanas caem pelo segundo dia seguido com disparada do petróleo e rendimento dos Treasuries apareceu…
Maria Figueiredo
Jornalista
As ações fecharam em baixa nesta terça-feira (15), enquanto os investidores aguardavam a decisão do Federal Reserve sobre os juros, prevista para esta semana e com potencial para gerar impactos em toda a economia. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries disparavam e atingiam os maiores níveis em vários anos.
O Dow Jones Industrial Average caiu 328,09 pontos, ou 0,63%, e encerrou o dia aos 52.093,11 pontos. O S&P 500 recuou 0,45%, para 7.585,73 pontos, enquanto o Nasdaq Composite perdeu 0,78% e fechou aos 25.981,57 pontos.
As quedas do S&P 500 e do Nasdaq foram parcialmente compensadas pela alta de várias empresas ligadas à inteligência artificial, que haviam sido pressionadas no pregão anterior. As ações da Coherent subiram quase 2%, enquanto as da Advanced Micro Devices avançaram 2%. A Qualcomm teve alta de mais de 4%.
O rendimento do Treasury de 10 anos, principal referência do mercado, subiu nesta terça-feira para 5,041%, o maior nível desde 2007. Como os preços dos títulos e seus rendimentos se movem em direções opostas, a alta dos juros indica uma queda no valor desses papéis. Mais tarde, o rendimento recuou da máxima, mas ainda acumulava alta de mais de 3 pontos-base, chegando a 5,00%.
Os rendimentos dos títulos públicos globais vêm sendo acompanhados de perto pelos mercados acionários nas últimas semanas. Os preços dos títulos têm caído em meio ao aumento dos temores de que a guerra entre os EUA e o Irã prolongue as pressões inflacionárias e leve os bancos centrais a adotar uma postura mais dura em relação aos juros.
“Os investidores finalmente estão começando a prestar atenção a essas preocupações”, disse Melissa Brown, chefe global de pesquisa de decisões de investimento da SimCorp. Segundo ela, além de a dívida do governo dos EUA já ter ultrapassado US$ 40 trilhões (R$ 206 trilhões) e a inflação continuar “teimosamente alta”, o petróleo acima de US$ 100 (R$ 515) por barril também “faz as pessoas prestarem atenção”.
Os preços do petróleo subiram depois que a Arábia Saudita fechou um importante oleoduto que contorna o Estreito de Ormuz. Com isso, os contratos futuros do Brent encerraram a segunda-feira acima de US$ 105 (R$ 540,75) por barril, enquanto os do West Texas Intermediate (WTI) ficaram acima de US$ 101 (R$ 520,15). A alta continuou nesta terça-feira: os contratos futuros do Brent para novembro avançaram quase 3% e fecharam a US$ 108,75 (R$ 560,06) por barril, enquanto os do WTI subiram mais de 4%, para US$ 105,83 (R$ 545,52).
Com os rendimentos dos Treasuries e os preços do petróleo em alta, os investidores também mantêm os olhos voltados para a decisão do Fed sobre os juros, esperada para esta quarta-feira. Os contratos futuros dos Fed funds apontavam para uma probabilidade superior a 94% de que o banco central elevasse a taxa em 0,25 ponto percentual, saindo da faixa atual de 3,5% a 3,75%. Uma decisão desse tipo pode ter repercussões na economia global.
“Os mercados querem pelo menos alguma orientação para entender como se posicionar”, disse Brown. “Acho que, se Warsh dissesse: ‘Continuamos preocupados com a inflação e vamos agir de acordo com isso’, tudo bem. O que preocupa é a possibilidade de ele simplesmente não dizer nada.”
Em uma nota divulgada nesta terça-feira, estrategistas do Barclays afirmaram que os juros mais altos já vinham pressionando as avaliações das ações e aumentando os riscos para as carteiras dos investidores.
“Embora os lucros tenham compensado esse impacto até agora, a aproximação do rendimento dos Treasuries de 10 anos do nível de 5% representa um ponto de inflexão historicamente importante. Acima desse patamar, os juros normalmente passam a pesar de forma mais persistente sobre as ações”, disseram os estrategistas.