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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por ICL Notícias

Crise Econômica Argentina

Argentina em desaceleração: Milei aposta no peso forte para domar inflação, mas PIB recua

Projeções do Banco Central argentino apontam retração de 0,9% do PIB no 2º trimestre, enquanto política cambial de Milei freia inflação, mas pressiona indústria e comércio.

Argentina em desaceleração: Milei aposta no peso forte para domar inflação, mas PIB recua
Foto: Reprodução/ICL Notícias

ICL Notícias

Jornalista

A economia da Argentina apresenta sinais de enfraquecimento enquanto o governo de Javier Milei mantém uma política de contenção da desvalorização do peso como ferramenta de combate à inflação. Analistas consultados pelo Banco Central da República Argentina (BCRA) projetam uma retração de 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano.

Os dados constam no Relevamento de Expectativas de Mercado (REM) de agosto, pesquisa realizada pelo BCRA com 47 consultorias, centros de pesquisa e instituições financeiras. Para 2026, a estimativa de crescimento do PIB foi revisada para baixo, chegando a 2,1% — queda de 0,6 ponto percentual em relação à projeção anterior.

No campo da inflação, houve avanço relevante. O índice de preços ao consumidor registrou alta de 1,7% em agosto, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Em 12 meses, o acumulado chegou a 33,5% — patamar bem abaixo dos níveis observados no início da gestão Milei.

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Peso valorizado pressiona setor produtivo

Um dos pilares da estratégia econômica do governo argentino é evitar uma desvalorização mais rápida do peso. Como os preços internos subiram em ritmo superior ao da cotação do dólar, a moeda argentina se valorizou em termos reais.

Esse movimento contribui para segurar a inflação, ao baratear produtos importados, mas também reduz a competitividade da produção local frente ao mercado externo.

Os setores mais afetados são os voltados ao mercado interno. Indústria, comércio e construção enfrentam condições mais adversas do que atividades exportadoras, como mineração, energia e agricultura.

A produção industrial registrou queda de 5% em julho na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Indec. A utilização da capacidade instalada ficou em 58,2% naquele mês, ligeiramente abaixo dos 58,4% anotados um ano antes.

Menor oferta de dólares e pressão cambial

No primeiro semestre, a Argentina contou com maior entrada de divisas, impulsionada pelas exportações agrícolas e por captações de empresas no exterior. Com o arrefecimento da safra, esse fluxo diminuiu.

Para administrar a pressão sobre o câmbio, o governo passou a utilizar diferentes instrumentos financeiros. Ainda assim, o mercado segue esperando alguma desvalorização da moeda. A mediana das projeções do REM de agosto aponta para uma cotação de 1.630 pesos por dólar em dezembro de 2026, o que representaria uma alta nominal de 12,6% do dólar em relação ao fechamento de 2025.

Crédito recua, mas financiamento imobiliário cresce

A política de juros mais elevados, usada para conter a pressão cambial e sobre os preços, também encarece o acesso ao crédito para famílias e empresas.

Em agosto, os empréstimos em pesos ao setor privado recuaram 1% em termos reais e com ajuste sazonal, conforme o relatório monetário do BCRA. Os financiamentos imobiliários, no entanto, seguiram em trajetória de crescimento.

O mesmo levantamento do Banco Central que registrou a inflação mensal de 1,7% em agosto também trouxe revisões para baixo nas projeções de atividade. Para o terceiro trimestre, analistas esperam uma recuperação de 1,1%, após a contração estimada para o período anterior. O equilíbrio entre inflação, câmbio e crescimento segue como um dos principais desafios econômicos do governo Milei.

Com informações de ICL Notícias.

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