Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil
Conflito EUA-Irã
Pentágono revela estragos da guerra contra o Irã: munição esgotada e US$ 184 mi em danos
Relatório inédito do Departamento de Defesa expõe destruição de bases, evacuação de diplomatas e colapso logístico nos primeiros meses do conflito EUA-Irã.
Foto: Reprodução/CNN Brasil
CNN Brasil
Jornalista
O Pentágono divulgou nesta segunda-feira (14) seu primeiro relatório formal sobre as perdas militares e diplomáticas dos Estados Unidos na guerra contra o Irã, cobrindo o período de 28 de fevereiro a 30 de junho. O documento foi elaborado pelo inspetor-geral do Departamento de Defesa em conjunto com os órgãos de fiscalização do Departamento de Estado e da USAID.
De acordo com o relatório, ataques iranianos danificaram e destruíram centenas de edifícios e estruturas em bases americanas no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia durante os primeiros meses do conflito. O documento também reconhece o esgotamento de estoques estratégicos de munição dos EUA.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) precisou realocar pessoal, equipamentos e instalações de armazenamento em resposta aos ataques. Entre as medidas adotadas, helicópteros de resgate médico foram retirados do Iraque e do Kuwait, fazendo com que a maior parte dos transportes de pacientes passasse a ser feita por via terrestre até unidades de saúde locais.
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Base naval no Bahrein e impacto logístico
A destruição do centro regional da Marinha americana no Bahrein agravou as dificuldades para manter bases navais e portos de apoio na região. O secretário interino da Marinha, Hung Cao, descreveu a instalação como tendo sido completamente destruída pelo Irã.
Com isso, a ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, passou a funcionar como principal centro logístico marítimo, estendendo os ciclos de reabastecimento para entre 14 e 18 dias. A situação gerou escassez intermitente de suprimentos e interrompeu o sistema de correio militar regional, afetando marinheiros em missões de duração recorde no Golfo Pérsico.
Danos diplomáticos somam US$ 184 milhões
No campo diplomático, os danos causados pelo Irã a instalações dos EUA no Oriente Médio totalizaram cerca de US$ 184 milhões. O relatório não apresentou estimativas equivalentes para as perdas em instalações militares.
Os prejuízos mais elevados ocorreram no Iraque, onde mais de 600 ataques foram registrados entre fevereiro e junho, causando danos avaliados em aproximadamente US$ 157 milhões, segundo uma autoridade de alto escalão do Departamento de Estado.
No início de março, a Embaixada dos EUA em Riad foi atingida por dois drones iranianos, com danos extensos, incluindo na base da CIA localizada no complexo. Também em março, o consulado americano em Dubai foi alvo de um drone, que danificou um prédio de serviços auxiliares. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou na ocasião que o drone havia atingido um "estacionamento adjacente ao prédio da chancelaria".
A Embaixada dos EUA no Kuwait suspendeu completamente suas operações em março após ser atingida por drones iranianos. O atendimento emergencial a cidadãos americanos só foi retomado no final de junho.
Diplomatas deixaram a região
Entre 23 de fevereiro e 30 de junho, até 3.500 funcionários diplomáticos americanos estiveram fora do Oriente Médio. Pouco após o início da guerra, o Departamento de Estado determinou a partida obrigatória de pessoal do Bahrein, Iraque, Jordânia, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, o que significava a saída de funcionários não essenciais e de todos os seus familiares.
A maioria das representações diplomáticas ainda opera em regime de "operações restritas", sem retorno ao quadro normal de pessoal. Alguns diplomatas e familiares começaram a voltar à região nos últimos meses.
Segundo seis fontes ouvidas anteriormente pela CNN, autoridades militares e de inteligência discutiram internamente a possibilidade de reduções permanentes no efetivo e nas instalações americanas no Oriente Médio após o término do conflito.