Agência com apuração local · publicado originalmente por Times Brasil
Disputa Global em IA
Guerra Fria Tecnológica: EUA e China intensificam disputa pela liderança em IA
Rivalidade entre EUA e China na inteligência artificial cresce com DeepSeek, restrições a chips e reunião entre Trump e Xi prevista para setembro.
Foto: Reprodução/Times Brasil
Giovana Sedano
Jornalista
Estados Unidos e China aprofundam a rivalidade tecnológica em torno da inteligência artificial (IA), transformando o setor em mais um campo de disputa geopolítica entre as duas maiores potências do mundo — situação que analistas comparam à corrida espacial travada entre americanos e soviéticos durante a Guerra Fria.
O governo de Donald Trump defende que os EUA mantenham a liderança no desenvolvimento de IA e rejeita qualquer medida que possa desacelerar os avanços do setor. Para Trump, reduzir o ritmo de evolução da tecnologia abriria espaço para que a China ultrapassasse empresas americanas em uma área considerada estratégica.
Pequim, por sua vez, acusou Washington de recorrer à retórica da Guerra Fria ao tratar a concorrência tecnológica nesses termos.
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Riscos da IA entram no debate
A discussão sobre os limites do desenvolvimento ganhou força após declarações de Jacob Coxon, pesquisador que deixou a Anthropic. Ele afirmou que pessoas envolvidas na construção da IA acreditam que a tecnologia pode representar uma ameaça extrema à humanidade antes do fim da década.
Dario Amodei, CEO da Anthropic, também se posicionou a favor de uma desaceleração no lançamento de novos modelos e defendeu a criação de revisores externos para avaliar os sistemas antes de chegarem ao mercado. Entre os riscos mencionados está a possibilidade de agentes de IA assumirem o controle de grandes partes da internet e causarem prejuízos de centenas de bilhões de dólares.
Amodei ainda defendeu a manutenção das restrições americanas à exportação de chips avançados para a China, argumentando que uma liderança chinesa em IA representaria um grave risco para os EUA e para o mundo.
DeepSeek acendeu alerta em Washington
A preocupação americana com o avanço chinês ganhou novo impulso em janeiro de 2025, quando a DeepSeek surgiu como alternativa ao ChatGPT. A ferramenta chamou atenção por apresentar desempenho semelhante ao de concorrentes americanos, ser gratuita, de código aberto e ter sido desenvolvida com menos recursos computacionais.
O episódio alimentou acusações de que empresas chinesas estariam copiando tecnologia americana e aumentou o temor de que produtos chineses mais baratos conquistem espaço no mercado global.
Diante desse cenário, OpenAI, Anthropic e Google passaram a discutir a adoção de regras próprias para lidar com os riscos dos sistemas mais avançados. Segundo o veículo especializado The Information, as três empresas conversaram sobre mecanismos de autorregulação que permitiriam continuar avançando tecnologicamente, mas com mais controles.
Trump e Xi devem se reunir em 24 de setembro
A disputa tecnológica deve estar na pauta do encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para 24 de setembro na Casa Branca. Os dois líderes já haviam discutido anteriormente o futuro do TikTok, aplicativo da ByteDance que Washington pressionou a ser vendido ou retirado do mercado americano por razões de segurança nacional.
A rivalidade entre as duas potências deixou de se restringir ao mercado de chatbots e passou a abranger questões mais amplas, como comércio, armamentos, chips e formação de talentos — além dos limites e riscos de uma tecnologia com potencial de influenciar o equilíbrio geopolítico global.