Agência com apuração local · publicado originalmente por Jovem Pan
Tensão Brasil-EUA
Lula rebate Trump e diz que verdadeiro terrorismo foi o 8 de Janeiro
Presidente brasileiro rejeitou classificação do PCC e CV como terroristas pelos EUA e criticou Trump, que acusa o Brasil de ser centro do tráfico global de cocaína.
Foto: Reprodução/Jovem Pan
Jovem Pan
Jornalista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rejeitou, nesta sexta-feira (18), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Para Lula, o verdadeiro terrorismo foi o que ocorreu nos atos golpistas de 8 de Janeiro, que incluíram o planejamento de assassinato de autoridades.
A declaração foi feita durante um evento de apresentação das forças de segurança pública no Rio de Janeiro, cidade onde o presidente cumpria agenda.
Na mesma ocasião, Lula afirmou que o presidente norte-americano Donald Trump tem interesse nos recursos minerais brasileiros e defendeu a ampliação dos investimentos do Brasil em segurança nacional.
Publicidade
Em maio, o governo dos Estados Unidos havia classificado o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e também os incluído na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs). A medida entrou em vigor no dia 5 de junho e autoriza Washington a impor sanções e bloquear ativos das facções em território americano.
A tensão entre os dois governos se intensificou após Trump enviar ao Congresso americano, na terça-feira (15), um documento presidencial sobre o combate internacional ao narcotráfico. No texto, o republicano afirmou que o Brasil falhou no enfrentamento ao PCC e ao CV e que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.
Trump também declarou que as organizações brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo e cobrou diretamente uma mudança de postura do governo brasileiro, afirmando que Brasília precisa adotar medidas mais agressivas contra as duas facções.
Segundo o presidente americano, o governo brasileiro precisa agir com urgência para enfrentar e derrotar essas organizações antes que elas se espalhem e cresçam ainda mais.