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Revista São Roque
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Agência com apuração local · publicado originalmente por CNN Brasil

Alerta Climático

El Niño se intensifica e ameaça dividir o Brasil entre enchentes e seca extrema

Fenômeno climático atinge novo patamar de intensidade e deve agravar chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste até novembro, alerta ClimaInfo.

El Niño se intensifica e ameaça dividir o Brasil entre enchentes e seca extrema
Foto: Reprodução/CNN Brasil

CNN Brasil

Jornalista

O Brasil está sendo afetado pelo El Niño, fenômeno climático que tende a se intensificar nos próximos meses e deve provocar efeitos opostos entre as regiões do país: enquanto o Sul enfrentará chuvas acima da média, o Norte e o Nordeste sofrerão com calor extremo e seca prolongada.

De acordo com boletim divulgado na última quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo, organização dedicada ao debate sobre mudanças climáticas, o fenômeno ainda não atingiu seu pico e o cenário deve se agravar.

Seca no Norte e no Nordeste

No Norte do país, o calor intenso e a estiagem já são realidade. Em Roraima, o Serviço Geológico do Brasil avalia como muito remota a possibilidade de recuperação do Rio Branco nos próximos meses. Entre julho e agosto, a bacia recebeu apenas 45% do volume de chuvas esperado, e o rio se aproxima das mínimas históricas.

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Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esse quadro deve persistir no Norte e no Nordeste até novembro. No Ceará, no centro-norte do Piauí e no oeste do Rio Grande do Norte, da Paraíba, de Pernambuco e de Alagoas, o déficit de água no solo pode chegar a 150 milímetros.

Chuvas no Sudeste e no Sul

No Sudeste, o panorama é diferente. São Paulo deve registrar precipitações acima da média, com temporais isolados também no norte de Minas Gerais e no Espírito Santo.

O estado mais preocupante, porém, é o Rio Grande do Sul. A previsão aponta que o nível de água no solo gaúcho poderá superar em 150 milímetros a média esperada para outubro.

Fenômeno se intensifica no Pacífico

Na última segunda-feira (14), foi registrada uma anomalia na região central do Oceano Pacífico: a temperatura da água atingiu +2°C, após permanecer estacionada em +1,8°C por meses. A agência americana NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) estima em 90% a probabilidade de o fenômeno ser classificado como "muito forte" nos próximos trimestres do outono e inverno do Hemisfério Norte, podendo alcançar 3,4°C.

No mesmo dia do registro da anomalia, São Paulo e Rio de Janeiro vivenciaram um dos setembros mais chuvosos dos últimos anos. As chuvas causaram destruição em diversas cidades paulistas, com dois mortos e uma pessoa desaparecida. A cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, ficou completamente alagada.

O Sul também sentiu os efeitos: no Paraná, mais de 21 mil pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas.

Como o El Niño funciona

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico se aquecem acima do normal, alterando a circulação dos ventos e a formação das chuvas em escala global. Em condições normais, os ventos no Pacífico sopram de leste para oeste — da América em direção à Oceania —, mantendo as águas próximas à América do Sul mais frias.

Durante o fenômeno, os ventos enfraquecem, a evaporação aumenta e as águas quentes que normalmente ficam próximas à Oceania se espalham em direção à América do Sul. Esse desequilíbrio entre temperatura, pressão e umidade gera consequências que variam de alagamentos e temporais a secas severas e escassez de água nos reservatórios, dependendo da região.

Com informações de CNN Brasil.

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