Agência com apuração local · publicado originalmente por Superinteressante
Descoberta Científica Rara
Cientistas descobrem 'flor do diabo' na Tailândia: planta vive sem luz e sem fotossíntese
A Thismia daemona, apelidada de 'flor do diabo', foi encontrada na Tailândia e sobrevive sem fotossíntese, retirando nutrientes de fungos no solo.
Foto: Reprodução/Superinteressante
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Jornalista
Uma nova espécie de planta que não realiza fotossíntese e vive enterrada no solo foi descoberta por cientistas no Parque Nacional Thong Pha Phum, na Tailândia, em 2025. Batizada de Thismia daemona e apelidada de "flor do diabo", a espécie chamou a atenção dos pesquisadores pela aparência incomum: corpo preto, estruturas vermelhas e projeções na parte superior, que lembraram aos cientistas uma figura demoníaca.
A planta pode atingir até 12 centímetros e passa a maior parte da vida sob uma camada de folhas mortas no solo, sem qualquer contato com a luz solar. Ao contrário do que é ensinado nos conceitos básicos de biologia, ela não possui clorofila e não realiza fotossíntese.
Em vez de depender da luz do sol, a Thismia daemona obtém carbono e nutrientes por meio dos fungos presentes no solo. A planta só emerge à superfície para florescer e produzir frutos.
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A descoberta foi descrita em estudo publicado em agosto no periódico científico PhytoKeys. Análises físicas e de DNA confirmaram que a espécie pertence ao gênero Thismia, normalmente associado a florestas tropicais em altitudes baixas. Há cerca de 120 espécies conhecidas desse gênero no mundo.
A Thismia daemona, no entanto, foi encontrada em um ambiente seco e a quase mil metros acima do nível do mar — condições atípicas para o grupo. Segundo os pesquisadores, isso indica que as plantas do gênero podem ser mais resistentes e estar mais amplamente distribuídas do que se acreditava.
Espécie já nasce ameaçada
Apesar da relevância científica da descoberta, o estudo traz um alerta preocupante. Os pesquisadores localizaram menos de 50 indivíduos da nova espécie, distribuídos em uma área menor do que um campo de futebol dentro do parque.
O local é frequentado por turistas, o que representa um risco adicional, já que visitantes podem estar pisando sobre as plantas sem perceber.
"A nova espécie é classificada como Criticamente Ameaçada de acordo com as categorias e critérios da Lista Vermelha da IUCN", afirmam os autores no estudo. A espécie, porém, ainda não foi oficialmente incluída nessa lista.